A inteligência artificial pode acelerar tarefas técnicas na produção audiovisual, mas não elimina, na avaliação do designer de produção Christopher Glass, o papel da criatividade humana nem a importância de cenários e efeitos práticos. Com mais de 20 anos de atuação na indústria cinematográfica, ele recomenda que profissionais em início de carreira aprendam a usar as novas ferramentas sem abandonar a colaboração, a pesquisa e o desenvolvimento de competências práticas.
Glass é designer de produção premiado com um ADG Award e um Gold Cannes Lion. Seu trabalho inclui longas-metragens, televisão e comerciais. Ele observa que a função ainda é pouco compreendida: em linhas gerais, designers de produção respondem pela aparência de tudo no filme, exceto figurinos, cinematografia e iluminação fora de cena. Mesmo essa descrição, ressalva, não dá conta de todas as atividades cotidianas da profissão — e, segundo ele, nem todos os produtores e diretores conhecem seu escopo.

Imagem: Creative Bloq / Christopher Glass. Design de produção de Christopher Glass nos bastidores
Cenários reais e atuação
Para Glass, atores respondem melhor quando encontram cenários, pessoas e efeitos práticos reais. Embora tenham imaginação, diz ele, a presença de elementos concretos com os quais possam interagir faz diferença na atuação.

Imagem: Creative Bloq. Retrato de Christopher Glass

Imagem: Creative Bloq / Christopher Glass. Imagens dos bastidores do design de produção de I Love Boosters
IA como ferramenta técnica — e pressão profissional
Glass descreve a IA como uma tecnologia capaz de executar tarefas técnicas e ajudar equipes a produzir referências visuais rapidamente e comunicar intenções. Entre os usos que cita estão a remoção de chroma key e de elementos de rigging. Ele também prevê que extensões de cenário se tornarão mais simples. Na avaliação do designer, essas possibilidades podem ser atraentes por motivos econômicos; ele menciona ainda que a adoção da tecnologia pode pressionar profissionais, que correm o risco de perder trabalho se não se adaptarem.
Ao mesmo tempo, Glass critica a sensação de que artistas sejam obrigados a recorrer à IA por razões de custo e sobrevivência. Ele considera que pessoas seguem mais aptas a criar ideias originais, por conta de suas vidas, memórias, emoções e experiências. Sua visão, portanto, não é de rejeição de todo uso técnico, mas de alerta contra a ideia de que essas ferramentas substituem a contribuição humana.

Imagem: Creative Bloq / Christopher Glass. Design de produção de Christopher Glass nos bastidores
Conselhos para quem está começando
A aspirantes a designers de produção, Glass aconselha não aceitar a previsão de que artistas se tornarão obsoletos. Sua recomendação é aprender a usar as ferramentas disponíveis, manter a mente aberta e buscar pessoas com interesses semelhantes para colaborar. Ele ressalta que o cinema é um trabalho coletivo e que reconhecer o que ainda não se sabe é tão importante quanto dominar conhecimentos já adquiridos.
O designer também sugere combinar humildade com coragem e confiança, visitar museus, estudar história e cultivar a imaginação. Por fim, recomenda aprender a elaborar e administrar orçamentos — uma habilidade que, segundo ele, levou tempo para desenvolver.

Imagem: Creative Bloq / Christopher Glass. Christopher Glass nos bastidores de uma produção










