A Mother Design criou uma nova identidade para a Purple Garden, plataforma de serviços psíquicos. Em vez de começar com um processo convencional de criação, a equipe participou de atividades de exploração espiritual e artística para buscar referências que traduzissem visualmente um serviço cuja proposta, segundo a diretora criativa Jo Tulej, é difícil de representar por ser intangível.
A iniciativa fez parte do Wild Card, programa da Mother Design voltado à experimentação. Com a orientação de uma praticante holística da Purple Garden, os designers participaram de uma leitura de chakras e de uma oficina de desenho e escrita automáticos. Usando papel e carvão, criaram de forma intuitiva, com a intenção de deixar em segundo plano o pensamento consciente. As formas, texturas e sensações geradas na atividade se tornaram uma base criativa para a identidade.
Alguns dias depois, o grupo se reuniu novamente para observar os desenhos e textos e discutir o que percebia neles. Tulej descreveu a experiência como uma maneira de compreender melhor a categoria e seu público. A equipe buscava desenvolver uma expressão visual e verbal que parecesse familiar a pessoas já habituadas a práticas e leituras espirituais, mas que apresentasse a oferta da Purple Garden de uma forma renovada.

Imagem: Creative Bloq / Purple Garden/Mother Design. Nova identidade da Purple Garden.
O processo também se inspirou em Hilma af Klint e no grupo The Five. Segundo Tulej, as integrantes se reuniam, entravam em estados de transe e desenhavam e escreviam livremente, acreditando receber mensagens de uma consciência superior. Af Klint é apresentada como pioneira da arte abstrata ocidental, com trabalhos anteriores aos de Kandinsky e Mondrian.
A diretora criativa afirma que a experiência foi lenta, pouco definida e exigiu confiança e vulnerabilidade da equipe. Ao reservar tempo para essa exploração e não atrelar a atividade inicial a um indicador de desempenho tradicional, a Mother Design teria criado condições para chegar a um resultado mais rico e robusto, sensível à categoria e ao público. Tulej também destaca que a experimentação permite dar espaço a ideias intangíveis que, em processos de marca com prazos apertados, podem acabar deixadas de lado.
Na identidade final, o wordmark combina serifas elegantes e junções curvas que sugerem crescimento. Um glifo de aparência cristalina, concebido para uso digital, complementa o conjunto. As fontes Literatura Present e ABC Social equilibram um caráter fantasioso com legibilidade prática. A marca procura se posicionar como uma fonte de orientação com os pés no chão, enquanto sua linguagem visual associa espiritualidade a vitalidade e crescimento contínuo.

Imagem: Creative Bloq / Purple Garden/Mother Design. Nova identidade da Purple Garden.
A direção de imagem inclui objetos apresentados como “carregados”, associados a serviços como análise de sonhos e leituras psíquicas. Brilhos solarizados e formas onduladas semelhantes a chamas representam, na concepção da marca, a troca de energia entre praticante e cliente. Imagens da natureza também recebem esses efeitos, que lhes conferem uma qualidade descrita como mágica.
A paleta reúne sete tons, entre roxos e cores terrosas mais ricas. Tulej afirma que a escolha mantém uma referência reconhecível à categoria, mas busca se diferenciar de sua aparência mais plana. O desafio, segundo ela, era criar um universo que parecesse pertinente à espiritualidade sem recorrer a clichês, usando símbolos que pudessem ser compreendidos de maneira ampla.

Imagem: Creative Bloq / Mother Design/Purple Garden. Nova identidade da Purple Garden.
A linguagem verbal foi elaborada para convidar à ação sem recorrer a mensagens de urgência ou pressão, como “Reserve rápido” e “Aja agora”. A proposta recebeu o nome de Active Contemplation — contemplação ativa — e procura conciliar dois movimentos: orientar a pessoa a seguir em frente ou abrir espaço para momentos mais reflexivos, conforme a situação.
Tulej também relaciona os detalhes gráficos à ideia de uma prática viva. As ligaduras e o posicionamento orgânico das letras foram trabalhados para sugerir formas que brotam e se conectam. A equipe experimentou diferentes processos e ferramentas até encontrar um tratamento visual adequado para os objetos carregados. Para a diretora criativa, esses elementos, somados à tipografia e à voz orientadora, compõem um universo coeso, em vez de partes isoladas.

Imagem: Creative Bloq / Mother Design/Purple Garden. Nova identidade da Purple Garden.
A entrevista aponta que, no mesmo ano, a Mother Design também reformulou a marca da Keen, outra plataforma de serviços psíquicos. Tulej diz ter se surpreendido com a diferença entre as identidades desenvolvidas para as duas empresas. Para ela, essa distinção decorre de investigar as características do público e os objetivos de cada negócio antes de definir a direção criativa.

Imagem: Creative Bloq / Mother Design/Purple Garden. Nova identidade da Purple Garden.










