Fotografias feitas há mais de um século podem reaparecer e continuar legíveis, enquanto arquivos digitais produzidos há apenas 20 anos talvez já não possam ser localizados ou abertos. Essa diferença coloca em evidência a fragilidade de trabalhos armazenados em cartões de memória, SSDs, plataformas online e formatos que deixam de ser compatíveis.
A comparação parte de dois casos recentes de redescoberta de imagens antigas: a série The Seven Words, de F. Holland Day, criada em 1898 e reencontrada em setembro, e um conjunto de fotografias que documenta a produção do filme de terror Faust, de 1926, encontrado em outubro. Em contraste, quem tenta recuperar hoje um projeto digital de duas décadas atrás — como o design de um site, arquivos para CD-ROM ou uma ilustração vetorial — pode não conseguir encontrá-lo ou abri-lo.
Armazenamento e plataformas podem falhar
Durante uma visita às instalações da fabricante de cartões de memória Lexar, em Shenzhen, na China, um representante da empresa afirmou que a memória flash de cartões de consumo e SSDs pode começar a perder dados em menos de um ano se ficar guardada sem ser ligada. A Lexar disse estar desenvolvendo um dispositivo específico para lidar com o problema, mas ressalvou que o projeto ainda está em estágio inicial.

Imagem: Creative Bloq / Lexar. Visitei uma das fábricas de cartões de memória mais avançadas do mundo… mas nem mesmo essa tecnologia de ponta é infalível.
O risco não se limita a dispositivos mantidos em gavetas. Um estudo do Pew Research Center citado no artigo constatou que 38% das páginas da web existentes em 2013 já não estavam acessíveis uma década depois. Plataformas também podem deixar de preservar arquivos: em 2019, o MySpace informou que uma migração de servidores apagou fotos, vídeos e músicas publicados entre 2003 e 2015. A estimativa mencionada foi de 50 milhões de músicas, de 14 milhões de artistas. A orientação da plataforma foi que os usuários mantivessem cópias próprias.
O encerramento repentino do Sora é citado como outro exemplo dos riscos de depender de serviços para guardar trabalhos. Há ainda a questão da compatibilidade: arquivos criados em Flash podem ser difíceis de recuperar após a Adobe encerrar o formato, em 2020. Assim, mesmo que um arquivo sobreviva, talvez não haja uma maneira prática de abri-lo anos depois.
Medidas para preservar arquivos
Uma das recomendações é seguir a regra 3-2-1: manter três cópias de cada arquivo importante, em dois tipos diferentes de armazenamento, com uma cópia fora do local principal ou na nuvem. O método não elimina todos os riscos, mas reduz a possibilidade de perder os dados. A orientação é manter cópias próprias e tratar plataformas como vitrines, não como depósitos permanentes.

Imagem: Creative Bloq / Future. Use vários métodos de armazenamento, não apenas um.
Também se recomenda ligar SSDs e cartões de memória a cada poucos meses, para que o firmware possa executar seu trabalho, e exportar os arquivos finais para formatos abertos com maior possibilidade de leitura futura, como TIFF, PNG, SVG e PDF/A.
Por fim, o artigo propõe imprimir os trabalhos. A ressalva é que o papel precisa ser protegido de enchentes e incêndios; ainda assim, o texto afirma que o armazenamento em papel tem um histórico melhor do que o digital. A preservação exige manutenção e cópias em diferentes meios, em vez de confiar que um único dispositivo ou serviço continuará disponível.
A preocupação central é que a quantidade de material produzido hoje não garante que ele estará acessível no futuro. Sem cuidados de preservação, gerações posteriores podem encontrar mais registros de 1926 do que de 2026 — não por falta de conteúdo contemporâneo, mas porque os arquivos digitais não foram mantidos acessíveis.










