A Trajectory anunciou uma rodada Série A de US$ 45 milhões para sua plataforma de treinamento de modelos de inteligência artificial. A captação foi liderada pela Sequoia e teve participação da Nvidia, da Bessemer Venture Partners e da Bain Capital Ventures. A rodada avaliou a startup em US$ 300 milhões. Fundada há cerca de um ano por três colegas de Stanford, a empresa tem 18 funcionários.
A plataforma conecta um modelo de IA de código aberto aos aplicativos de uma empresa e coleta feedback sobre seu desempenho. A Trajectory usa essas informações para retreinar o modelo em tarefas especializadas, num processo que a empresa descreve como aprendizado contínuo. A startup está disponibilizando publicamente sua plataforma de pós-treinamento.
A proposta responde a uma limitação dos modelos atuais: sem treinamento adicional, eles não aprendem com os próprios erros. Empresas que adaptam modelos para áreas como direito e finanças costumam recorrer ao ajuste de modelos gerais, o que pode exigir equipes internas de pesquisa ou consultores especializados. A Trajectory afirma que sua ferramenta permite a advogados, médicos e outros especialistas melhorar modelos quase automaticamente, sem depender de conhecimentos técnicos de treinamento.
Harvey e Rogo já usam a plataforma para pós-treinar modelos de código aberto. Entre as tarefas citadas estão revisar determinados tipos de contrato e avaliar empresas com metodologias específicas, para que os modelos possam desempenhar atividades de forma mais próxima à de profissionais experientes. Decagon, Mercor e Nvidia também estão entre os clientes da Trajectory, segundo a matéria. O cofundador Ronak Malde disse que os usuários definem o que é um bom resultado para sua organização e convertem esse critério em melhorias para o modelo.
A participação humana no treinamento também é central para a posição da empresa sobre segurança. O cofundador Michael Elabd argumenta que manter pessoas envolvidas torna a abordagem da Trajectory mais segura do que o autoaperfeiçoamento autônomo, que poderia produzir resultados não pretendidos ou perigosos. Essa comparação é a avaliação de Elabd.
A Trajectory disputa esse mercado com a Thinking Machines Lab, fundada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI, e responsável pela plataforma de ajuste Tinker. A lista de concorrentes citada também inclui a Applied Compute, avaliada em US$ 3,25 bilhões no mês anterior à publicação, e a Prime Intellect, que ajuda empresas a criar e treinar seus próprios agentes de IA.
Malde aponta a equipe como uma das principais vantagens da startup. Ele esteve entre os pesquisadores da Google DeepMind contratados após a aquisição da Windsurf. Malde e Elabd têm experiência na DeepMind; o terceiro cofundador, Arjun Karanam, trabalhou com modelos generativos de base na Apple. A empresa também recrutou pesquisadores e designers de produto que passaram pela OpenAI, Stripe e Netflix. Karanam afirma que a interface foi desenvolvida para tornar o pós-treinamento mais acessível aos clientes não técnicos.










