Segundo um artigo publicado pelo Google, o agente de segurança PageBreak identificou mais de 500 vulnerabilidades de cross-site scripting (XSS) em aplicações web da empresa desde que entrou em operação completa, em janeiro. A empresa não apresentou validação independente desses resultados.
O PageBreak usa modelos Gemini para investigar possíveis vulnerabilidades de forma autônoma. No entanto, só encaminha um achado depois que validadores determinísticos reproduzem a exploração em uma aplicação em execução. A abordagem busca limitar falsos positivos e evitar que equipes de produto recebam relatos não confirmados.
Os testes variam conforme o tipo de falha: para XSS, o validador tenta executar JavaScript; em casos de path traversal, tenta gravar em um local acessível a todos; e, para execução remota de código (RCE), provoca uma consulta DNS de saída. Michał Bentkowski, engenheiro de segurança da informação do Google, afirmou que a validação determinística foi priorizada desde o início do desenvolvimento para verificar as hipóteses em ambientes reais.
O sistema também gera candidatos que não passam por essa confirmação. O Google os mantém internamente para orientar varreduras futuras, apontar lacunas nos recursos de validação e apoiar a criação de novos validadores. Esses resultados não verificados não são enviados às equipes de produto. Bentkowski ressalvou, porém, que os validadores atuais não cobrem todos os tipos de vulnerabilidade nem cenários complexos, o que pode deixar passar falhas que outros métodos identificariam — isto é, gerar falsos negativos.
Em um artigo separado, publicado no Google Bug Hunters, Bentkowski descreveu três casos técnicos encontrados pelo PageBreak: uma falha XSS, um problema de envenenamento de cache causado por configuração incorreta de um serviço e uma vulnerabilidade de path traversal.
Lukas Weichselbaum, engenheiro sênior de segurança da informação no Google, também destacou que um achado só é considerado válido após confirmação por um validador com uma carga real. Segundo ele, os validadores são códigos escritos por engenheiros de segurança, não pelo modelo, e operam fora do ciclo do agente. Assim, embora a IA sugira possíveis falhas, a confirmação depende de um mecanismo separado.
Bentkowski atribuiu parte das condições favoráveis ao PageBreak ao ambiente de engenharia do Google: o monorepositório oferece visibilidade de ponta a ponta do código; sinais de segurança conectam tráfego HTTP ativo ao código-fonte; e a infraestrutura de varredura existente fornece acesso autenticado às aplicações web.
Como objetivo de longo prazo, o Google pretende reduzir a participação das equipes de produto à validação de correções geradas por IA. Para isso, está integrando o PageBreak a outras iniciativas de segurança baseadas em agentes, incluindo o CodeMender, com a intenção de gerar automaticamente correções para as vulnerabilidades encontradas. A fonte relata esse trabalho como uma iniciativa em andamento, não como uma capacidade já confirmada para todos os casos.










