O Google anunciou que escolas que usam seus serviços educacionais do ensino básico e médio poderão acessar o Search — a Busca do Google — somente se aceitarem o uso de ferramentas de inteligência artificial. A decisão provocou críticas de políticos e de educadores, que questionam a influência da empresa sobre serviços usados por estudantes.
Chris Phillips, vice-presidente de educação do Google, explicou ao The New York Times que a Busca e a IA estão “profundamente integradas”. Segundo ele, se uma escola não habilitar ferramentas como o Gemini, seus alunos não terão acesso ao Search e verão uma mensagem da instituição informando que o serviço não está disponível.
A decisão foi chamada de “extorsão” pelo senador Bernie Sanders, em uma publicação na rede X. O senador Richard Blumenthal também criticou a empresa, dizendo que ela estaria mais preocupada em levar o Gemini às escolas do que em ajudar os estudantes a ter sucesso.
Lina Khan, ex-presidente da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), classificou a medida como anticompetitiva. Ela afirmou que o caso evidencia os riscos de um monopolista sem regulação controlar um serviço essencial e mencionou decisões judiciais anteriores que consideraram o Google responsável por violações às leis antitruste. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, também criticou a concentração de poder, afirmando que nenhuma corporação deveria decidir como as crianças são ensinadas.
Parte da preocupação nas escolas envolve as visões gerais de IA que aparecem na Busca: educadores receiam que elas desestimulem os alunos a procurar respostas por conta própria. Para milhões de estudantes que precisam usar Chromebooks e as ferramentas educacionais do Google, simplesmente trocar de buscador não é uma solução simples.
Em resposta às críticas, o Google afirmou no X que as escolas terão mais opções e que Gemini, Gemini Notebook e Search ficarão desativados por padrão. Segundo a empresa, cada serviço poderá ser habilitado separadamente. O Google disse que a mudança atende a pedidos de educadores por mais controle e às preocupações de que estudantes usem IA para contornar o trabalho escolar.
A empresa também está desenvolvendo o Guided Learning para contas de estudantes no Search. A ferramenta deverá orientar os alunos na resolução de problemas ou na busca por informações, em vez de apenas fornecer respostas. Como exemplo, o Google indicou que, diante de uma dificuldade com divisão de expoentes, o recurso poderá lembrar o estudante das regras envolvidas, sem entregar diretamente o resultado. Trata-se de um recurso em desenvolvimento, não de uma função descrita como já disponível.
O Google afirmou que continuará conversando com educadores para oferecer mais opções, controles e melhorias na Busca voltadas ao aprendizado.










