A plataforma Etsy anunciou novas regras para conter a proliferação de conteúdo gerado por inteligência artificial em seu marketplace, sinalizando que o problema se tornou crítico na comunidade criativa.
As políticas exigem que toda listagem inclua pelo menos uma foto não editada do produto real, fotografada contra um fundo natural. A empresa baniu explicitamente o uso de geradores de imagem de IA para criar padrões, receitas e instruções destinadas aos clientes. Listagens criadas inteiramente por bots também foram proibidas. Conteúdo de arte gerada por IA continua permitido, mas deve ser claramente identificado como tal, informando aos compradores exatamente o que adquirem.

Imagem: Creative Bloq. IA na Etsy: o que é permitido e o que está mudando
O problema das criações falsas
A necessidade dessa política reflete um problema real enfrentado pelos usuários. A criadora Kara Lynne compartilhou sua experiência em rede social: comprou um padrão de crochê totalmente gerado por IA que não funcionava e não correspondia ao produto final esperado. Esse cenário se repetiu entre milhares de compradores, prejudicando tanto os consumidores quanto os vendedores legítimos que mantêm padrões éticos.
O impacto foi significativo para Etsy, empresa com capitalização de mercado de US$ 7,81 bilhões. A mudança alinha a plataforma com ações similares de outras grandes empresas: Spotify removeu 50 milhões de faixas geradas por IA, Snap mantém conteúdo de IA generativa fora de suas recomendações e LinkedIn adicionou botão para denúncia desse material.
O óbvio que precisou ser dito
A política reconhece um princípio fundamental: quando alguém compra algo descrito como "feito à mão", espera que um ser humano realmente o tenha criado. A necessidade de explicitar essa regra revela quanto o conteúdo falso se infiltrou em uma plataforma dedicada ao trabalho artesanal e criativo original. Que uma empresa com recursos da Etsy precisasse estabelecer regra tão elementar indica o quanto a situação se deteriorou. As novas medidas representam avanços necessários, embora tardiamente implementados.










