Chloé Templeman, diretora criativa executiva da Pearlfisher, agência de design de marca orientada por estratégia, concede entrevista sobre sua trajetória, desafios profissionais e perspectivas sobre o trabalho criativo. Originária da Escócia, Templeman acumula 17 anos de experiência em agências de topo de Londres, tendo desenvolvido trabalhos para marcas como Fortnum & Mason, Diageo e Unilever.
Atua como mentora em diversos programas e dedica-se a apoiar a próxima geração de talento em design, além de defender a inclusão de mais mulheres em posições de liderança. A Pearlfisher define-se como criadora de "irresistible human connection".
Sobre tendências de design controversas
Templeman revela atração pela tendência deliberadamente "tão ruim que é bom", observando ressurgimento do anti-design com tipografia desajeitada, paletas de cores que se chocam e escolhas de fontes questionáveis. Ela identifica neste movimento um retorno nostálgico aos gráficos lo-fi e ao clip art dos anos 90, reminiscente da experiência com MS Paint.
Segundo ela, quando executado bem, o design intencional ruim injeta "playfulness" necessária ao cenário criativo. Resgata charme peculiar nesta "desordem intencional" que exige sensibilidade para comunicar a mensagem pretendida.
Síndrome do impostor e evolução na liderança

Imagem: Creative Bloq / Pearlfisher. Chloé Templeman em contexto profissional de design
Templeman relata ter enfrentado síndrome do impostor significativa ao ser promovida a diretora criativa. Inicialmente, comparava-se a outros diretores que tinham sido seus superiores, convencida secretamente de não merecer o cargo.
O ponto de viragem ocorreu quando venceu um pitch importante. Esta vitória levou-a a reconhecer que sua abordagem diferente era uma força, não uma deficiência. "Não há um único jeito certo de ser diretora criativa", afirma. Templeman enfatiza que diversidade de personalidades e perspectivas é essencial para construir equipes equilibradas e que aceitar-se a si mesma permitiu abandonar a autoúvida e executar o trabalho "à minha maneira".
Crítica ao uso de IA em feedback criativo

Imagem: Creative Bloq / Designbridge. Representação do trabalho criativo em design
Templeman identifica como pet peeve profissional o uso de IA para fornecer feedback sobre trabalho criativo. Argumenta que um algoritmo desconhece o brief, o contexto e o problema real que se tenta resolver.
Critica que esta prática "tira o poder das pessoas e ignora completamente seu próprio instinto e experiência". Aponta que IA é construída sobre o que já foi feito, tornando-a incompatível com objetivos de inovação genuína. "Se estamos tentando desafiar o status quo e fazer algo verdadeiramente corajoso, pedir opinião a um algoritmo é a forma mais rápida de matar esse momentum e jogar seguro."













