Andy Jassy, CEO da Amazon, afirmou que a capacidade de nuvem comprometida da AWS para 2026 já foi toda alocada. Segundo ele, 2027 está em grande parte vendido, e uma parcela considerável de 2028 também já foi reservada. A empresa, contudo, mantém parte da capacidade disponível para solicitações sob demanda, EC2 e Bedrock.
Jassy falou em um vídeo-podcast com Ben Horowitz, cofundador da Andreessen Horowitz, e Erik Torenberg, sócio-geral da empresa. A Reuters noticiou as declarações em 23 de outubro. Jassy acrescentou que a Amazon poderia investir bem mais do que os cerca de US$ 220 bilhões previstos para despesas de capital naquele ano sem que isso representasse um uso inadequado do capital. Esse valor se refere às despesas de capital totais, não apenas a investimentos em inteligência artificial.
A AWS vende garantias de capacidade por meio das On-Demand Capacity Reservations e dos Capacity Blocks for ML. As reservas permitem designar instâncias em uma zona de disponibilidade específica. No caso dos Capacity Blocks for ML, a capacidade é reservada por um período fixo que começa em uma data futura. Uma reportagem anterior da InfoQ informou que, em janeiro, a AWS elevou em cerca de 15% as tarifas desses blocos em todas as regiões. O reajuste abrangeu instâncias GPU P5en, P5e, P5 e P4d, além de Trn2 e Trn1.
A afirmação de que a capacidade está praticamente esgotada foi contestada pelo analista de nuvem David Linthicum. Ele disse que é importante distinguir grandes blocos reservados antecipadamente da capacidade que uma empresa pode alocar no uso cotidiano. Linthicum afirmou que ainda poderia ser possível solicitar capacidade GPU pelo console da AWS, embora talvez não os blocos de grande escala que um provedor de modelos queira reservar por vários anos.
Para Linthicum, a falta dessa distinção alimenta confusão sobre instâncias reservadas, serviços sob demanda e capacidade comprometida. Ele alertou que manchetes sobre capacidade esgotada podem induzir empresas a pressupostos equivocados e a estratégias inadequadas.
Relatos de usuários em discussões online, por sua vez, descrevem restrições de disponibilidade no presente. Um desenvolvedor identificado como cbigsby disse que sua equipe enfrentou dificuldades recentes para obter instâncias EC2 comuns, tanto sob demanda quanto Spot. Os problemas afetaram principalmente a integração contínua (CI), mas, em alguns dias, deixaram os clusters Kubernetes de produção preocupantemente limitados.
Richard T., gerente de operações técnicas, comentou que a Microsoft divulgou informações limitadas sobre restrições de capacidade na região Azure East US. Diante do crescimento projetado, sua equipe passou a adotar instâncias reservadas para garantir recursos. Em outra discussão, um participante relatou dificuldade para obter computação suficiente nos três principais provedores, e afirmou que o problema não se restringia a GPUs.
Ian Rae apontou uma consequência potencial dessa resposta: empresas podem começar a reservar recursos por receio de precisar deles, o que, segundo ele, seria um padrão contrário à proposta da nuvem. A AWS já oferece uma ferramenta voltada à gestão desse problema. A EC2 Capacity Manager reúne dados de capacidade em um painel que abrange várias contas e regiões e calcula a proporção entre capacidade reservada utilizada e não utilizada, como medida da eficiência das reservas.
A Amazon divulgaria seus resultados do terceiro trimestre em 29 de outubro. A fonte observa que a divulgação das obrigações de desempenho restantes permitiria ver quanto da capacidade comprometida corresponde a receita contratada.










