Uma camiseta branca, jeans e tênis brancos formam a fantasia fictícia que dá nome à campanha “Ultimate Monster Costume”. Criada para parecer um anúncio de loja online de fantasias de Halloween, a peça levava a um site que usava a ideia de um visual cotidiano para abordar a violência contra mulheres e meninas.

Imagem: Creative Bloq / Do Not Behave. Campanha de Halloween mostra uma loja online fictícia com uma fantasia de monstro composta por camiseta branca básica, jeans e tênis brancos.
Na página, a descrição da fantasia listava relações como amigo, colega de escola, namorado, colega de trabalho e marido. Em seguida, apresentava comportamentos abusivos como parte do “figurino”: invadir o espaço pessoal de mulheres, compartilhar imagens íntimas sem consentimento e frequentar salas de bate-papo para buscar dicas sobre como drogar alguém. Em vez de concluir uma compra, o botão dizia: “NÃO COMPRE ESTE COMPORTAMENTO”.
A campanha foi criada pelo estúdio criativo independente britânico Do Not Behave, fundado pela diretora criativa Jo Moore no ano anterior à publicação do artigo. O estúdio trabalhou com as organizações educativas What Makes a Man e Cheer Up Luv. A iniciativa foi divulgada nas redes sociais e, segundo a Do Not Behave, o site fictício recebeu mais de 2,5 mil visitas.
A mensagem central é que os responsáveis por violência sexual podem não corresponder a uma imagem evidente de “monstro”: muitas vezes, podem parecer homens comuns. A campanha procurou chamar a atenção para essa realidade e alcançar outros homens, incentivando-os a atuar como aliados mais vigilantes.
O artigo informa que a violência contra mulheres e meninas é tratada como uma emergência nacional no Reino Unido. Estudos citados indicam que ela afeta aproximadamente uma em cada 12 mulheres na Inglaterra e no País de Gales. As formas mencionadas incluem violência doméstica, agressão sexual e estupro, perseguição, assédio, casamento forçado, mutilação genital feminina e abuso digital ou online.
O texto também atribui à Women and Girls Network uma estimativa de que cerca de 97% das mulheres que denunciam agressão sexual conhecem o agressor. A campanha usou esse dado e a aparência banal da fantasia para destacar como a violência pode estar próxima do cotidiano, sem sugerir que roupas comuns, por si só, indiquem comportamento abusivo.










