A Anthropic encerrou o trimestre até 30 de setembro com receita de US$ 17 bilhões, acima dos US$ 11,5 bilhões registrados no período anterior. Ao mesmo tempo, os custos de computação aumentaram em proporção à receita, pressionando as margens da empresa. Os dados foram divulgados em uma atualização de seu documento S-1: a versão anterior apresentava resultados até 30 de junho, e a nova inclui mais um trimestre.
A computação consumiu 58% da receita no trimestre, ante 48% no trimestre anterior. Um gráfico do documento acompanha a receita obtida para cada dólar gasto com computação. A relação vinha subindo desde o início de 2025 e chegou a pouco mais de duas vezes no trimestre mais recente, antes de recuar para 1,72 vez.
A conta total de computação alcançou US$ 10 bilhões no trimestre. Desse montante, US$ 5 bilhões vieram de compromissos de curto prazo, que, segundo o documento, custam significativamente mais do que capacidade comparável contratada em acordos plurianuais. A explicação apresentada pela matéria é que a demanda cresceu tão rapidamente que a Anthropic precisou buscar capacidade disponível no curto prazo, pagando taxas mais altas.

Imagem: TechCrunch / Anthropic S-1 filing. Gráfico do documento da Anthropic mostra a receita obtida por dólar gasto em computação, com queda para 1,72 vez no trimestre mais recente.
Entre os acordos citados estão pagamentos de US$ 1,25 bilhão por mês à SpaceX por computação, além de contratos de vários bilhões de dólares com Nscale, Akamai e Volta. A matéria descreve esses fornecedores como empresas menores, chamadas no setor de “neoclouds”, que oferecem contratos mais flexíveis, mas a taxas superiores às de grandes provedores de nuvem.
A Anthropic atribui a deterioração das margens do trimestre a esse tipo de contratação. No documento, a empresa prevê que os gastos com computação e infraestrutura aumentem em valores absolutos e continuem sendo sua maior despesa operacional no futuro previsível. A previsão também menciona a entrada de capacidade comprometida em acordos plurianuais com provedores de serviços de nuvem e novos investimentos em computação.
A empresa tenta reduzir esses custos por meio do projeto “Anthropic Direct”, voltado à construção de uma base própria de computação. Ainda assim, enquanto a demanda crescer mais rápido do que a capacidade própria pode ser ampliada, a Anthropic deverá continuar recorrendo a fornecedores externos, segundo a avaliação da matéria.
O crescimento da receita pode ajudar a explicar por que o aumento dos custos não necessariamente preocupa investidores no curto prazo: a receita avançou de US$ 11,5 bilhões para US$ 17 bilhões em um trimestre. Mas a piora da parcela consumida pela computação mostra que o crescimento também exige investimentos e contratos de capacidade cada vez maiores.
A matéria aponta ainda riscos externos para essa dependência. Uma desaceleração na construção de centros de dados — por dificuldades nos mercados de títulos ou por maior oposição local — poderia complicar a obtenção de capacidade. A Anthropic teria pouca margem para agir sobre esses fatores, e uma mudança desse tipo poderia agravar a pressão sobre os custos. No momento, os preços e a disponibilidade de computação seguem como fatores importantes para a situação financeira da empresa.










